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Camisa 12

EU TE DISSE... EU TE DISSE... EU TE DISSE...

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EU TE DISSE... EU TE DISSE... EU TE DISSE...

    Eu avisei.

    A minha arrogância é um defeito de caráter.

    Uma obscena dimensão de acontecimentos cruéis.

    O Flamengo é,

    de fato,

    o maior da humanidade.

    Diante do Flamengo,

    não existe time grande.

    E agora,

    José?

    Agora eu poderia pedir desculpas.

    Mas não vou.

    Santa inocência,

    Batman.

    Elementar,

    meu caro Watson!

    Não,

    mulambada.

    O mulambo que vos escreve não tem arrependimentos.

    Sou indecentemente insuportável.

    A alma flamenga não sabe ser de outro jeito;

    todo rubro-negro é,

    por essência,

    um marrento petulante.

    O Flamengo não é um clube para o qual torcemos.

    Tenho uma proclamação a fazer:

    todo flamenguista é um instrumento de propagação da verdade.

    O Flamengo vence.

    O Flamengo faz gols.

    O Flamengo desenvolve teorias sobre a insignificância dos adversários.

    O Flamengo incomoda.

    Percepção arrogante.

    E que ninguém venha me falar do placar.

    Um a zero?

    Sim.

    Um a zero.

    E daí?

    Quando foi que a grandeza de um acontecimento foi medida pela quantidade de algarismos?

    No Flamengo, 

    nunca!

    Um gol separou Flamengo e FlorminenC.

    Não venham com matemática desesperada.

    A matemática é uma ciência respeitável,

    porém insuficiente para compreender a alma rubro-negra.

    Um a zero é o resultado.

    Fodam-se as interpretações.

    Interpretação é território difuso.

    Eu avisei que,

    se o Flamengo ganhasse por um gol,

    mesmo num jogo dificílimo,

    diria que a nossa superioridade era evidente.

    Eis-me aqui.

    Cumprindo a promessa.

    Não porque eu tenha obrigação de ser coerente com o que escrevo.

    Seria deselegante permitir uma realidade contraditória.

    A realidade que se adapte.

    Eu sou Flamengo.

    E os tricoflores passarão os próximos dias discutindo como o Pulgar não foi expulso.

    Vão falar de dois possíveis pênaltis.

    Não tenho interesse em investigar.

    Adoro o chororô.

    O FlorminenC perdeu.

    O Flamengo ganhou.

    Normal.

    E,

    quando o Flamengo ganha,

    adquirimos uma espécie de imunidade temporária contra a obrigação de ouvir argumentos alheios.

    Imunidade estatutária.

    Não há diálogos possíveis com perdedores.

    O sofrimento dos perdedores não emociona as almas flamengas.

    Ontem,

    eu disse que o Flamengo seria um transatlântico atravessando uma piscina infantil diante da arquibancada em ebulição.

    Hoje,

    não serei humilde.

    Vencer,

    vencer,

    vencer...

    Tá no hino.

    Essa é a beleza...

    Nossa soberba não precisa de goleada.

    Não precisa de humilhação.

    Não precisa de cinco gols,

    seis gols ou de uma segunda súmula.

    Um gol basta.

    O Flamengo tem essa capacidade extraordinária de transformar a modéstia de um placar em exuberância de alma.

    Um sujeito normal olha para o 1 a 0 e pensa que foi difícil.

    Mas nós,

    as almas flamengas,

    pensamos que foi melzinho na chupeta,

    e foda-se meia dúzia de torcedores adversários precisarem evitar conversas no botequim.

    O ponto central desta crônica é a de ontem,

    aquela que muitos consideraram exagerada.

    Aquela em que tratei o FlorminenC como uma falha administrativa na organização do universo.

    Aquela em que declarei que eu não era profeta.

    Era Flamengo.

    Pois bem.

    Não vou dizer que previ o resultado exato.

    Não previ.

    Disse que o Flamengo poderia ganhar por um,

    dois,

    três ou quatro gols.

    Não sabia o placar.

    É isso,

    mulambada.

    Somos todos mulambos insuportáveis na arte de cantar vitória antes da hora.

    Não haverá pedido de reconsideração.

    O Flamengo venceu.

    Não há defesa.

    Neste momento,

    nós,

    a Nação Rubro-Negra,

    estamos ocupados celebrando a condição vencedora em que existimos.

    Saudações rubro-negras.

    E meus sentimentos,

    desta vez não antecipadamente,

    mas com a autoridade moral de quem avisou ontem e venceu hoje:

    tricoflores,

    vocês terão de explicar o resultado no grupo da família.

    Eu te disse...

    Eu te disse...

    Eu te disse...

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